ARTIGOS
 
   
29/07/2009
O adolescente e as drogas
Categoria: Palavra Inácio - Pároco

O tema instiga os jovens, angustia os pais e preocupa os educadores. Os meios de comunicação veiculam, diariamente, informações sobre o assunto. A literatura científica enfatiza a importância de se enfrentar a questão do abuso de substâncias por meio de medidas de prevenção adequadas. Por que o uso de drogas vem, cada vez mais, se difundindo entre os jovens, apesar de todo o investimento na educação e prevenção que vem sendo feito?

A adolescência é um momento especial na vida do indivíduo. Nessa etapa, o jovem é rebelde a orientações, pois está testando a possibilidade de ser adulto, de ter poder e controle sobre sua própria existência. É um momento de diferenciação em que, naturalmente, afasta-se da família e adere ao seu grupo de iguais. Se esse grupo estiver experimentalmente usando drogas, o pressiona a usar também.

O encontro do adolescente com a droga é um fenômeno muito mais frequente do que se pensa e, por sua complexidade, difícil de ser abordado. Cabe à sociedade organizada as responsabilidades de quebrar esse círculo vicioso, dando ao jovem oportunidades de ocupar seu tempo com atividades que venham a ajudá-lo a construir seu caráter por meio de projetos que se sustentem em ações voltadas para a construção de um “ideal de vida”, onde não há espaço para o uso de drogas, pois estas levam à degradação de sua integridade física e emocional e expõe o jovem a riscos, inclusive o de morte.

Diante do cenário de nossas periferias, sem projetos voltados à educação, lazer e cultura, os jovens ficam à mercê dos traficantes, que estão bem perto – mais do que as políticas públicas de inclusão social –, não precisam pegar o ônibus e vir ao Centro para comprar drogas como precisam vir para ir ao teatro, ao cinema, assistir a um jogo...

Precisamos dar acesso a atividades que venham a ocupar o espaço que as drogas teriam na vida dos jovens. É importante pensarmos que a inclusão social é um grande aliado na prevenção, especialmente do uso do crack, que é, hoje, o maior problema relacionado ao vício que nossa sociedade enfrenta.


Toque de recolher,

O toque de recolher, além de ser uma violação da Constituição, macula o direito mais inerente do ser humano: a liberdade. Esta palavra, tão citada em prosas e versos, garbosamente cantada em nossos hinos: “E o sol da liberdade em raios fúlgidos brilhou no céu da Pátria neste instante”; “Em teu seio, ó liberdade, desafia em nosso peito a própria morte”; “Já raiou a liberdade no horizonte do Brasil”; “Ou ficar a Pátria livre, ou morrer pelo Brasil”; “Liberdade, abre as asas sobre nós.”

Somos um povo que saiu do jugo de Portugal, queríamos ser livres como nação. Tivemos na nossa história, também, inúmeras “insurreições” em território nacional, todas alicerçadas em liberdade, como a Balaiada, Sabinada, Palmares, Revolução Farroupilha, Canudos, Contestado, entre outras, até chegarmos ao golpe militar, em 1964. Este é um marco.

Início da ditadura, na qual toda e qualquer manifestação e até não-manifestação foi punida com a perda da liberdade. Nos porões, aqueles que se julgavam acima da lei cometeram violações do direito de expressão, de ir e vir, de corpos, de mentes e de almas. Sim, pois quem sobreviveu carrega cicatrizes na alma até hoje.

O direito penal, com suas leis, assevera a maior punição que um ser vivo pode receber, o cerceamento da liberdade. Seguidos todos os trâmites, o violador da lei é sentenciado pelo juiz criminal.

Os agentes políticos, muitas vezes com interesses dúbios, não podem ter o direito de privar a liberdade de quem quer que seja. É preciso que tomemos cuidado com este discurso (des)interessado, de medida de proteção aos jovens, mas com pano de fundo eleitoreiro.

Chegamos a eles, os nossos representantes. Nas eleições, o jargão repetitivo é educação e saúde. Esta é a primordial discussão. Educação para um povo não aparece imediatamente e sim em dez, 15 anos, diferente de uma obra ou monumento. Se realmente fosse investido em educação, consequentemente muitos problemas sociais seriam resolvidos, inclusive quanto aos jovens em situação de risco e criminalidade. Educação é investir pesado em estrutura física e humana, tanto na qualificação do aluno quanto do professor. Recentemente, os deputados estaduais votaram o abono de R$ 100 para os professores. Três parcelas para 2010. Já os aumentos de seus próprios salários...

Outro ponto de discussão é a incapacidade dos pais de imporem limites a seus filhos. Provenientes de famílias desestruturadas, conviventes com a violência, a miséria, a falta de planejamento familiar, de moradia, de emprego, de qualificação. Estas famílias não são os algozes da violência na sociedade e sim vítimas.

Vítimas de políticos (eleitos pelo povo com pouca instrução) corruptos que, com falcatruas e desvios de dinheiro público, privam as ações sociais que poderiam dar educação ao povo e beneficiar jovens em situação de risco.
Cercear a liberdade... Por que não usam este ato para os seus colegas de Parlamento? Para os cúmplices, a benevolência, a absolvição. Para o povo, a tentativa de macular a Constituição Federal, em mais um desmando.
Liberdade! Abre as asas sobre nós!

Por Neuza Frantz Bonilla
nbonill@gmail.com
Professora de pós-graduação, mestre em saúde e meio ambiente

Oficinas

Estão abertas as inscrições para a oficina de gravura, desenho e pintura na Casa Brasil, em Joinville. As aulas começam no dia 6 de agosto e ocorrem todas as quintas-feiras, das 8h30 às 11h30. As inscrições podem ser feitas pelo telefone (47) 3436-1442.

Estágio

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Fonte: Jovens





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