08/03/2010
3º Domingo da Quaresma Ano C
Categoria: Igreja Santa Luzia
Deixai-vos reconciliar com Deus, pois eterna é a sua misericórdia. Convertei-vos e crede no Evangelho (Mc 1,14). Caminhando com Jesus até Jerusalém queremos abrir nossos ouvidos neste terceiro Domingo da Quaresma e escutar o forte apelo à conversão. A Campanha da fraternidade Ecumênica deste ano conclama todos os homens e mulheres de boa vontade, católicos ou não, a denunciar tudo o que privilegia o lucro em detrimento da vida. Que esta Quaresma seja diferente de todas as outras. Que seja de fato um tempo de conversão, pessoal, comunitária e social. Que todos se voltem para o Cristo e seu projeto de salvação que passa pela cruz, mas depois virá a Glória. Deus, portanto em sua paciência e impaciência nos chama a conversão, voltemos a Ele. Estamos em constante movimento, tomara que esse movimento seja para “estabilizar” nossa vida naquele que é, era e será sempre Senhor. Ele quer “dar esse tempo” de conversão a todos nós. Quanto mais próximos de Deus, mais facilmente veremos nossas falhas, nossos traços de egoísmo, possibilitando assim a busca da purificação.
PRIMEIRA LEITURA (Ex 3,1-8.13-15) nesta passagem Deus se apresenta a Moisés e se revela como aquele que ouve o clamor do povo e desce para libertá-lo. Deus não suporta ver o povo sendo manipulado, oprimido, chama e suscita novos líderes para libertá-los (vv.7,8). É um belíssimo texto que mostra o cumprimento das promessas feitas a Abraão (Gn 15,13-16). A iniciativa é sempre de Deus, que entra nos acontecimentos humanos (manifesta-se na sarça ardente, é uma teofania, ou seja, manifestação de Deus). Deus, portanto é alguém que age na humanidade em favor dos seres humanos, revela-se um Deus solidário, que quer a vida e não a morte. Moisés, tira as sandálias pois o solo que pisas é santo. Deus é Santíssimo, Ele é o Deus libertador e nos convoca a lavar as mãos, ou seja, nos purificar para ajudar a libertar o povo. A libertação, entretanto começa comigo, conosco. Primeiro devemos estar livres, assim podemos ajudar os outros a libertarem-se.
SEGUNDA LEITURA (1Cor 10,1-6.10.12) Paulo alerta que para a salvação, não basta Deus agir na humanidade, o ser humano precisa colaborar, precisa acolher a proposta de Deus, só assim será livre. Olhando para o povo de Israel chama atenção da comunidade de Corinto dizendo que não obstante Deus ter alimentado, saciado a sede e conduzido seu povo com tanto carinho para a terra prometida, a grande maioria tombou no deserto, pois foi infiel. Apesar do amor aconteceu a infidelidade. Que isso sirva de exemplo para nós, para não cairmos na infidelidade, adultério e idolatria. Não nos esqueçamos da campanha da Fraternidade: “não podeis servir a Deus e ao dinheiro”. Paulo diz: “temos nossa ‘rocha´ que é Jesus Cristo, bebamos, portanto dessa rocha e tomemos cuidado porque quem está de pé poderá cair”.
EVANGELHO (Lc 13,1-9) Assim como Sao Paulo utilizou-se dos fatos acontecidos no Êxodo para admoestar a comunidade de Corinto, Jesus que está se deslocando para Jerusalém, utilizou-se dos acontecimentos daqueles dias para passar a sua mensagem. Uma desgraça acontecida não significa castigo divino, mas podemos afirmar que sempre servirá como apelo a conversão. Assim como os recentes terremotos no Haiti e no Chile, não significam castigo de Deus, mas pode servir para chamar atenção da nossa fragilidade diante da própria natureza. Deve servir de apelo para que levemos uma vida mais fraterna. No Antigo Testamento acreditava-se que por ser pobre, doente, estéril, ou mal sucedido na vida é porque era pecador, portanto castigado por Deus. Sabemos que se nosso coração tiver ódio, egoísmo, inveja, maus desejos, adultérios, carrega em si as conseqüências daqueles seus sentimentos. De outro lado somos todos pecadores, se Deus não nos feriu, é porque acredita em nós, acredita que podemos ser melhores, podemos dar ainda muitos frutos. No Evangelho “vemos” na figura do patrão paciente, mas também impaciente, já são três anos que procuro frutos nessa figueira e nada encontro, corta-a (v.7). Jesus ao falar aos fariseus disse: “Gente, a questão não é essa, o problema é o que vocês estão fazendo. Vocês se consideram bons judeus, melhores do que os outros, sem pecado, e por conseqüência, sem castigo. Pois eu vos digo: se vocês não mudarem essa mentalidade, não se converterem perecerão todos do mesmo modo”. É que julgando-se melhores rejeitavam a Boa Notícia de Jesus Cristo. Hoje o que seria trágico? Um terremoto, uma tempestade? Ou rejeitar a Deus, vivendo como se ele não existisse? Que Deus retire de nós tudo aquilo que nos enfraquece e não permite que produzamos frutos. NestA Quaresma a oração, jejum e esmola sao remédios que nos fortalecerão, vamos tomá-los?
Fonte: Pe. Inácio B. Giacomelli