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28/11/2007
Advento - tempo de chegada
Categoria: Dom Irineu

Na Antiguidade “Advento” significava a chegada de um rei, de um senhor importante, aguardado, a quem, na chegada, se prestavam homenagens. Para nós “Advento” significa tempo de chegada e presença do próprio Deus entre nós. A Igreja como que está grávida, com Maria e José, à espera do Menino Deus.

Com o Advento começa o ano eclesiástico ou ano litúrgico que vai do primeiro domingo do Advento até o 34º. do Tempo Comum. Durante este tempo, todos nos sentimos exortados a nos prepararmos dignamente para celebrar o aniversário da vinda do Senhor ao mundo como a encarnação do Deus de amor, de maneira que nossas almas sejam moradas dignas de Deus.

Por isso, a recomendação que todos participemos ativamente dos Grupos Bíblicos de Reflexão, que procuremos nos confessar para nos sentirmos purificados e dignos da presença do Menino Deus, que nos unamos em família, que nos lembremos dos irmãos mais necessitados, de modo muito concreto: os pobres, os presos e encarcerados, os doentes, os afastados de Deus e de sua Igreja.

De modo que as luzes que acendamos nas noites escuras do Advento sejam ao mesmo tempo consolo e advertência: certeza consoladora de que “a luz do mundo” já foi acesa na noite escura de Belém e transformou a noite do pecado humano na noite santa do perdão divino; por outra parte, a consciência de que esta luz somente pode - e somente quer - seguir brilhando se é sustentada pelos cristãos, que continuam através dos tempos a obra de Cristo. E todos nós cristãos devemos ser os protagonistas que acendem a luz de Cristo na noite do mundo, no qual vivemos.

Aí está o simbolismo da coroa do Advento com suas quatro velas. O círculo da coroa não tem princípio, nem fim. É sinal do amor de Deus que é eterno, sem princípio e nem fim, e também do nosso amor a Deus e ao próximo que nunca deve terminar.

A luz inicia com uma vela apenas e que vai crescendo na medida em que mais velas vão sendo acesas. As quatro velas da coroa simbolizam, cada uma delas, uma das quatro semanas do Advento. No inicio, vemos a coroa sem luz e sem brilho, o que nos recorda a experiência de escuridão do pecado, da espectativa do povo do Antigo Testamento, que vivia nas trevas e esperava uma luz nova.

Na medida em que nos aproximamos do natal, cada semana acendendo uma nova vela, vamos de encontro ao Menino Deus, luz do mundo, que vem a nós, dissipando toda escuridão, trazendo aos nossos corações a paz e o amor divino. É recomendável o uso dessa simbologia da coroa e das velas nas nossas igrejas e nas nossas casas, colocando-a em lugares de destaque.

Uma das belas características do Natal é a alegria irradiante que deve dominar em todos os nossos ambientes. Toda verdadeira alegria está no Senhor. Ela vem de dentro dos corações, e se é verdadeira, é irradiante e capaz de desfazer o gelo dos corações endurecidos. 

Toda alegria que se dá fora dele ou contra ele não satisfaz, mas que, ao contrário, arrasta o homem a um redemoinho no qual não pode estar verdadeiramente contente.
Dois personagens bíblicos importantes podem nos servir de referência e exemplo a imitar durante o tempo de Advento. São eles: João Batista e Maria, a cheia de graça.

João Batista chama, com todo rigor, à conversão, a transformar nosso modo de pensar e de agir. Ele deu exemplo disso. Dia após dia nos topamos com o mundo do visível, que nos induz ao material, ao humano e passageiro.

Porém, o invisível é, na verdade, mais excelso e possui mais valor que todo o visível. “Uma só alma, segundo Pascal, é mais valiosa que o universo visível”. Mas, para percebê-lo de forma viva, é preciso converter-nos, transformar-nos interiormente, vencer a ilusão do visível e fazer-nos sensíveis, afinar o ouvido e o espírito para perceber o invisível.

Maria, a cheia de graça, a “flor de Jessé”, a mulher revestida da Palavra de Deus, que acolheu a vontade de Deus em sua vida, e a transformou numa certeza, como se visse o invisível, nos chama a um encontro com Deus. Ela, na sua gravidez, viveu silenciosa e alegremente a espectativa do nascimento do Salvador.

Portanto, como João Batista e Maria, Mãe de Jesus, “preparemos o caminho do Senhor” e vivamos com entusiasmo e alegria a vida que Deus nos dá. Preparemo-nos para a festa da luz e que ela não se extinga de nossos corações. Desejo a todos, um feliz tempo de Advento, em preparação à festa do Natal do Menino Deus.




Fonte: Dom Irineu Roque Scherer - Bispo de Joinville






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